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Blog Observador Internacional
 


A MONSANTO, ALÉM DA JUSTIÇA

http://www.maurosantayana.com/





Agricultores brasileiros estão em litígio contra a Monsanto, que lhes cobrou royalties pelo uso de uma tecnologia cuja patente expirou em 2010, de acordo com a legislação brasileira. As leis nacionais estabelecem que o início da vigência de uma patente é a data de  seu primeiro registro. A Monsanto invoca a legislação norte-americana, pela qual a patente passa a vigorar a partir de seu último registro. Como sempre há maquiagem dos processos tecnológicos, a patente não expira jamais.

Os lobistas da Monsanto não tiveram dificuldades em negociar acordo vantajoso, para a empresa, com os senhores do grande agronegócio, reunidos em várias federações estaduais de agropecuária, e com a poderosa Confederação Nacional da Agricultura, comandada pela senadora Kátia Abreu. Pelo cambalacho, a Monsanto suspenderia a cobrança dos royalties até 2014, e os demandantes desistiriam dos processos judiciais.

"Uma das maldições do homem é a tentativa de criar uma natureza protética"

Uma das maldições do homem é a tentativa de criar uma natureza protética, substituindo o mundo natural por outro que, sendo por ele criado, poderá, na insolência da razão técnica, ser mais perfeito.  Essa busca, iniciada ainda na antiguidade, continuou com os alquimistas, e se intensificou com as descobertas da química, a partir do século 18. O conluio entre a ciência, mediante a tecnologia e o sistema capitalista que engendrou a Revolução Industrial, amparada pelo laissez-faire, exacerbou esse movimento, que hoje ameaça a vida no planeta.

A Alemanha se tornaria, no século 19, o centro mais importante das pesquisas e da produção industrial de novos elementos a fim de substituir a matéria natural, construída nos milênios de vida no planeta, por outra, criada com vantagens para o sistema de produção industrial moderno.

Não há exemplo mais evidente desse movimento suicida do que a Monsanto. A empresa foi fundada em 1901 a fim de produzir sacarina, o primeiro adoçante sintético então só fabricado na Alemanha. Da sacarina, a empresa foi ampliando seus negócios com outros produtos sintéticos, como a vanilina e corantes, muitos deles cancerígenos. Não deixa de ser emblemático que o primeiro grande cliente da Monsanto tenha sido exatamente a Coca-Cola. É uma coincidência que faz refletir.

Não é só a Monsanto que anda envenenando as terras e as águas com seus produtos químicos. Outras empresas gigantes da química com ela competem na produção de agrotóxicos mortais. Com o controle da engenharia genética aplicada aos vegetais de consumo humano e de consumo animal, no entanto, ela tem sido a principal responsável pelos danos irreparáveis à natureza e à saúde dos animais e dos seres humanos.

Vários países do mundo têm proibido a utilização das sementes transgênicas da Monsanto, entre eles a França, que interditou o uso das sementes alteradas. No Brasil, ela tem vencido tudo, com a conivência das autoridades responsáveis, ou irresponsáveis. A Comissão Técnica de Biossegurança e o Conselho Nacional de Biossegurança  vêm dando sinal verde aos crimes cometidos pela Monsanto e outras congêneres no Brasil.

Essa devia ser uma preocupação prioritária do Parlamento, que só se movimenta com entusiasmo quando se trata das articulações internas para a eleição bianual de suas mesas diretoras.



Escrito por Observador às 14h20
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WikiLeaks: EUA pressionam governos estrangeiros para utilizarem sementes da Monsanto



Do Gramna

Os telegramas diplomáticos dos Estados Unidos publicados pelo WikiLeaks, revelaram que o Departamento de Estado tem protegido durante anos os interesses da Monsanto e de outras empresas de biotecnologia.

O grupo de proteção do consumidor Food & Water Watch publicou, nesta quarta-feira,
um informe baseado nos telegramas vazados, que mostram como o governo federal norte americano colabora com algumas polêmicas empresas do campo da biotecnologia, que fabricam produtos transgênicos no mercado global.

"O Departamento de Estado dos EUA está vendendo sementes em lugar de democracia", disse a diretora executiva da Food & Water Watch, Wenonah Hauter. "Este informe mostra um panorama assustador de como uma série de gigantescas empresas biotecnológicas influenciam indevidamente na política externa dos EUA ", sinalou Hauter.

Food & Water Watch apresentou seus descobrimentos depois de analisar cerca de 260 mil telegramas do Departamento de Estado publicados pelo WikiLeaks, desde 2010. Segundo o grupo, a estratégia do Departamento de Estado consistia em pressionar os governos estrangeiros para que utilizassem a biotecnologia
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Escrito por Observador às 14h14
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China está preocupada com resolução da Assembleia Geral da ONU sobre Síria


Algumas disposições da resolução sobre a Síria adotada durante a sessão da Assembleia Geral da ONU na quarta-feira causa preocupação em Pequim, disse o porta-voz do Ministério do Exterior chinês Hong Lei.

Ele acrescentou que uma solução para o problema só é possível se ela for aprovada por todas as partes do conflito interno na Síria. O lado chinês insiste firmemente em que "o destino do futuro da Síria deve ser decidido soberanamente pelo povo sírio".

Na noite passada, a Assembleia Geral da ONU aprovou por maioria dos votos uma resolução iniciada pelo Catar condenando o governo sírio.



Escrito por Observador às 11h19
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INFERNO EM CUBA

http://www.maurosantayana.com/2013/05/inferno-em-cuba.html

 


 

                    Há, na ilha de Cuba, um campo de concentração que lembra os montados pelos nazistas na Europa de Hitler. Mais de uma centena de prisioneiros sem julgamento - já que não há nas leis nada que dê suporte legal apara tal ato - se encontram confinados desde_2002, em instalações precárias e provisórias,  submetidos desde então a maus tratos e tortura, física e psicológica. Quase todos eles se encontram há meses  em greve de fome. Depois da morte de nove deles, passaram a alimentá-los à força, prática condenada pela Comissão de Direitos Humanos da ONU.
            É bom explicar que não é um presídio do governo de Cuba, mas, sim, estadunidense. Trata-se de parte da base naval de Guantánamo, ali instalada pelo governo dos Estados Unidos, depois da guerra vitoriosa contra a Espanha, em 1901. A partir de então, Cuba deixou de ser colônia de Madri para tornar-se  dependência política de Washington.
            A instalação formal da base e a assinatura de um tratado para a sua manutenção ocorreram em conseqüência da Emenda Platt, em 1903, pela qual Cuba perdia toda a sua soberania – imposta pela força. Ainda que Roosevelt, em 1934, tenha formalmente abolido a Emenda, o Tratado de cessão da base foi mantido. Pelo documento, a ocupação militar de Guantánamo durará enquanto isso for do interesse de Washington.
           Logo depois da Revolução Cubana, quando se iniciaram os desentendimentos com as empresas de petróleo americanas, mas ainda em 1959, Havana denunciou formalmente o Tratado: os Estados Unidos deviam retirar-se da base. No entanto eles, além de não tomar conhecimento da decisão de Fidel, intensificaram sua ação diplomática contra Cuba,  e a clandestina, a cargo da CIA e contra-revolucionários cubanos - que levou à frustrada tentativa de invasão da Baía dos Porcos.
           “Mais de 160 homens, que nunca foram acusados de nenhum crime, e menos ainda condenados por crimes de guerra, permanecem em Guantánamo, sem um fim à vista” – argumenta o Coronel Morris Davis, que foi o chefe dos promotores das comissões militares que julgaram (ilegalmente) os prisioneiros de Guantánamo, entre 2005 e 2007, durante o governo de Bush II.
           Davis lidera um movimento nos Estados Unidos que recolheu 190.000 assinaturas de seus concidadãos, em uma petição para fechar a base e libertar os prisioneiros, e a encaminhou ontem ao Congresso. Há mais de 3 anos que 86 prisioneiros de Guantánamo receberam - por falta absoluta de evidências de sua participação em atos de terrorismo - autorização para regressar a seus países. Têm medo de solta-los: onde quer que estejam, os prisioneiros de Guantánamo, contarão ao mundo sua história e, tendo sido tão vilipendiados, estarão disponíveis contra os EUA.
           Seqüestrados, enjaulados, torturados, humilhados, estão moralmente autorizados a dar o troco. 



Escrito por Observador às 21h33
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O PETRÓLEO É NOSSO

http://www.maurosantayana.com/2013/05/o-petroleo-e-nosso.html

 

 

       A Petrobras desfigurou-se quando o governo dos tucanos paulistas e cariocas decidiu entregar a exploração do petróleo a empresas estrangeiras. Uma evidência da entrega: todos os países exportadores de petróleo cobram das empresas estrangeiras royalties, em média, de 80%: em petróleo. O Brasil, por decisão desses senhores, só cobra dez por cento do óleo extraído — e em moeda. Na realidade, essas empresas são donas de todo o petróleo produzido, cuja descoberta se deve à própria Petrobras.
          Mais do que o petróleo, vindo do solo, a Petrobras extraiu da alma brasileira a sua orgulhosa consciência de povo. Essa consciência vinha sendo construída em difíceis passos políticos, confrontada com a cumplicidade das oligarquias coloniais com a Metrópole, na exploração do trabalho escravo e no saqueio sistemático da natureza, desde o século 17. É bom registrar que ela sempre se associou aos nossos recursos naturais, do pau-brasil ao ouro e a outros minerais.
         A Independência, em 1822, serviu para o surgimento de grupos mais atilados, com ideais democráticos e republicanos, ainda que prevalecessem os interesses oligárquicos. A confluência do movimento abolicionista com a campanha republicana, a partir de 1870, acabaria com as duas instituições caducas, a escravatura e a monarquia. Mas, fora a pequena elite pensante das grandes cidades, não havia consciência de nação. No campo, os grandes fazendeiros viam o país como um território repartido entre eles,  senhores das terras e dos que nelas trabalhavam e viviam.
         Só na segunda década republicana houve quem associasse o desenvolvimento industrial ao bem-estar dos trabalhadores — mas esses visionários foram violentamente reprimidos pelos governos, a serviço das oligarquias e das empresas estrangeiras. Elas controlavam as incipientes manufaturas e o comércio exterior com a venda de nossos produtos primários  - e a importação de bens de consumo, em sua maioria supérfluos.
           A partir dos anos 20, começou a esboçar-se o que podemos entender como a assunção do Brasil, como ele é: uma nação de imigrantes, mestiça de mamelucos e cafuzos, de negros e brancos, de europeus nórdicos e meridionais — e de gente do Oriente Médio e da distante Ásia. Nesse sentido, apesar de seus críticos, a Semana de Arte Moderna, de 1922, teve a sua marcante influência. O Brasil desembarcou definitivamente da Europa com o atrevimento dos intelectuais, muitos deles brasileiros de primeira geração, que tornaram nobre o que antes se considerava vulgar.
           Foi então que despimos as sobrecasacas, trocamos as ceroulas por cuecas, e as mulheres se livraram dos espartilhos para que suas formas desabrochassem sob a regência de uma sensualidade tropical.
           Nesses anos 20, em certos momentos sem uma orientação política e ideológica coerente, surgiram os partidos de esquerda e os movimentos de rebeldia militar com os tenentes, como a gesta heroica, mas prematura, da Coluna. Tudo isso conduziria à Aliança Liberal de 1930, empurrada, como sempre ocorre, pelo confronto de interesses políticos pessoais de personalidades fortes, associado ao conflito  das forças econômicas regionais.    
           É interessante notar que, nesses decênios iniciais do século 20, o petróleo já se situava no centro da disputa geopolítica das grandes potências — e desde a Primeira Guerra Mundial, com o desembarque inglês, comandado pelo coronel Lawrence, na Península Árabe. O livro de Essad Bey, A luta pelo petróleo, é a melhor fonte para entender as intrigas entre os estados e os milionários no esforço pelo controle das jazidas.
           Em 1928, como narra Monteiro Lobato em seu livro sobre o assunto (O escândalo do petróleo), os soviéticos, preocupados em diminuir o elevado consumo de álcool entre seus soldados, propuseram ao Brasil trocar petróleo - do qual grande parte de seu território era,  e continua, encharcado - por café brasileiro. Acreditavam que a nossa bebida contribuiria para aliviar o alcoolismo de suas tropas. Os Rockefeller, donos da Standard Oil e líderes das grandes petroleiras, impediram que fizéssemos o negócio.
           Com Getulio, dentro das amarras do tempo, começamos a levar o problema a sério, com o Conselho Nacional do Petróleo, criado em 1938, e sob a chefia do general Horta Barbosa. Todas as atividades petrolíferas se encontravam sob o controle do Estado, que poderia conceder a exploração e o refino, dentro dos interesses nacionais. Enfim, em 1953, criou-se a Petrobras.
           O lema da campanha popular, O petróleo é nosso, transcendia de seu enunciado. Não era só o petróleo que era nosso. Queríamos dizer que o Brasil, com o petróleo e tudo mais, pertencia-nos, como povo. Na medida em que a Petrobras  se consolidou — mesmo sobre o cadáver de Getulio — entendemos que éramos um povo capaz de conduzir, soberanamente, o seu próprio destino.
            Se não fosse essa consciência, adquirida nas lutas populares, Juscelino não teria sido eleito em 1955, e não teríamos dado o grande salto, dos cinqüenta anos em cinco, durante o seu qüinqüênio: construímos trechos de ferrovias, grandes eixos rodoviários e erigimos Brasília, porque a criação e os primeiros êxitos da Petrobras diziam-nos que éramos um povo tão capaz como qualquer outro, e poderíamos, com isso, construir definitivamente a nossa soberania.
            No entanto, a partir do governo presidido por Fernando Henrique Cardoso, a Petrobras tem sido submetida a lenta, mas criminosa, desconstrução. O Estado vendeu, no exterior, as ações preferenciais da empresa, transferindo assim, em forma de dividendos, os esforços dos técnicos e trabalhadores brasileiros, que, com o seu êxito, ajudaram-nos a criar a consciência de nação soberana.
             A Agência Nacional do Petróleo, ao que parece a isso autorizada pelo cimo do governo, decidiu colocar em leilão, hoje, e pelas regras que remontam a Fernando Henrique, centenas de lotes de exploração de petróleo na costa brasileira. Trata-se de áreas em que a Petrobras investiu centenas de milhões em pesquisa e que serão entregues, em sua maior parte, e ao que se prevê, a empresas estrangeiras.
           Segundo cálculos da Associação dos Engenheiros da Petrobras, divulgados pelo seu ex-presidente Ricardo Maranhão, e pelo seu atual vice-presidente, Fernando Siqueira, o valor desses depósitos fósseis é superior a um trilhão e cem bilhões de reais. As entidades representativas dos trabalhadores da Petrobras estão sem recursos para custear as ações  na Justiça, e a empresa não pode ou não quer tomar estas providências. É o caso de os donos do petróleo, ou seja, os cidadãos brasileiros, abrirem uma conta e contribuírem com o que cada um puder, para constituir um fundo de defesa do petróleo. De novo temos de ir às ruas para dizer que "o petróleo é nosso".



Escrito por Observador às 21h22
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Especuladores devem ser julgados por fome de 1 bilhão de pessoas, diz Ziegler



Por José Coutinho Júnior
Da Página do MST



O sociólogo suíço Jean Ziegler, ex-relator especial para o Direito à Alimentação da Nações Unidas (ONU), denunciou que a fome é um dos principais problemas da humanidade, em um debate nesta segunda-feira (13/5) em São Paulo.

“O direito à alimentação é o direito fundamental mais brutalmente violado. A fome é o que mais mata no planeta. A cada ano, 70 milhões de pessoas morrem. Destas, 18 milhões morrem de fome. A cada 5 segundos, uma criança no mundo morre de fome”, disse Ziegler.

Na década de 1950, 60 milhões de pessoas passavam fome. Atualmente, mais de um bilhão. “O planeta nas condições atuais poderia alimentar 12 bilhões de pessoas, de acordo com estudo da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Não há escassez de alimentos. O problema da fome é o acesso à alimentação. Portanto, quando uma criança morre de fome ela é assassinada”.

Ziegler afirma que é a primeira vez que a humanidade tem condições efetivas de atender às necessidades básicas de todos. Depois do fim da Guerra Fria, mais especificamente em 1991, a produção capitalista aumentou muito, chegando a dobrar em 2002. Ao mesmo tempo, essa produção seguiu um processo de monopolização das riquezas. Hoje, 52,8% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial está nas mãos de empresas multinacionais.

A concentração da riqueza nas mãos de algumas empresas faz com que os capitalistas  tenham uma grande força política. “O poder político dessas empresas foge ao controle social. 85% dos alimentos de base negociados no mundo são controlados por 10 empresas. Elas decidem cada dia quem vai morrer de fome e quem vai comer”, diz Ziegler.

O sociólogo relatou que essas empresas seguem blindadas pela tese neoliberal de que o mercado não deve ser regulado pelo Estado.

“Na Guatemala, 63% da terra está concentrada em 1,6% dos produtores. A primeira reivindicação que fiz, após a missão, foi a realização da Reforma Agrária no país. Fui rechaçado, pois uma intervenção no mercado não é possível. Não havia sequer um cadastro de terras lá: quando os latifundiários querem aumentar suas terras, mandam pistoleiros atacar a população maia que vive ao redor”.

Especulação

A especulação financeira dos alimentos nas bolsas de valores é um dos principais fatores para o crescimento dos preços da cesta básica nos últimos dois anos, dificultando o acesso aos alimentos e causando a fome. De acordo com o Banco Mundial, 1,2 bilhão de pessoas encontram-se em extrema pobreza hoje, vivendo com menos de um dólar por dia.

“Quando o preço do alimento explode, essas pessoas não podem comprar. Apesar da especulação ser algo legal, permitido pela lei, isso é um crime. Os especuladores deveriam ser julgados num tribunal internacional por crime contra a humanidade”, denuncia Ziegler.

A política de agrocombustíveis, que, além de utilizar terras que poderiam produzir comida, transforma alimentos em combustível, é mais um agravante. “É inadmissível usar terras para fazer combustível em vez de alimentos em um mundo onde a cada cinco segundo uma pessoa morre de fome”.

Política da fome

Ziegler afirma que não se pode naturalizar a fome, que é uma produção humana, criada pela sociedade desigual no capitalismo. Prova disso são as diversas políticas agrícolas praticadas tanto por empresas e subsidiadas por instituições nacionais e internacionais.

O dumping agrícola consiste em subsidiar alimentos importados em detrimento dos alimentos produzidos internamente. De acordo com Ziegler, os mercados africanos podem comprar alimentos vindos da Europa a 1/3 do preço dos produtos africanos. Os camponeses africanos, dessa forma, não conseguem produzir para se sustentar.

Ziegler denunciou o “roubo de terras”, que é o aluguel ou compra de terras em um país por fundos privados e bancos internacionais, que ocorreu com mais de 202 mil hectares de áreas férteis na África, com crédito do Banco Mundial e de instituições financeiras da África.

Os camponeses, por conta desse processo, são expulsos das terras para favelas. Esse processo tem se intensificado uma vez que os preços dos alimentos aumentam com a especulação imobiliária.

O Banco Mundial justifica o roubo de terras com o argumento de que a produtividade do camponês africano é baixa até mesmo em um ano normal, com poucos problemas (o que raramente acontece).

Um hectare gera no máximo 600 kg por ano, enquanto que na Inglaterra ou Canadá, um hectare gera uma tonelada. Para o Banco Mundial, é mais razoável dar essa terra a uma multinacional capaz de investir capital e tecnologia e tirar o camponês de lá.

“Essa não é a solução. É preciso dar os meios de produção ao camponês africano. A irrigação é pouca, não há adubo animal ou mineral nem crédito agrícola, e a dívida externa dos países impedem que eles invistam na agricultura”, defende Ziegler.

Soluções

Segundo Ziegler, a única forma de mudar as políticas que perpetuam a fome é por meio da mobilização e pressão popular.

“Temos que pressionar deputados e políticos para mudar a lei, impedindo que a especulação de alimentos continue. Devemos exigir dos ministros de finanças na assembleia do Fundo Monetário Internacional que votem pelo fim das dívidas externas. Temos que nos mobilizar para impedir o uso de agrocombustíveis e acabar com o dumping agrícola”.

Ziegler afirma que a luta contra a fome é urgente, pois quem se encontra nessas condições não pode esperar. “Essa mobilização coletiva pode pressionar democraticamente e massivamente, por medidas que acabem com a fome. A consciência solidária deve movimentar a sociedade civil. A única coisa que nos separa das vítimas da fome é que elas tiveram o azar de nascer onde se passa fome”.

O ex-relator especial para o Direito à Alimentação da Nações Unidas (ONU) veio ao Brasil lançar o livro "Destruição em Massa - Geopolítica da Fome" (Editora Cortez) e participar da 6ª edição do Seminário Anual de Serviço Social, que aconteceu no Teatro da Universidade Católica (TUCA).

(Foto: Rafael Stedile)



Escrito por Observador às 14h25
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Perigo: senado libera plantio de cana na Amazônia e no cerrado


Por Jailton de Carvalho
Do O Globo


Num descuido da base governista, a Comissão do Meio Ambiente aprovou ontem, por cinco votos a dois, projeto do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) que permite o plantio de cana-de-açúcar na Amazônia e no cerrado. O texto foi aprovado em caráter terminativo e, agora, segue direto para a Câmara se não houver recurso de pelo menos nove senadores contrários à proposta. O senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) considerou deplorável a decisão da comissão, que, para ele, põe em perigo a proteção da Amazônia e até do Pantanal.

"Esse projeto é um retrocesso. A plantação de cana-de-açúcar vai comprometer a biodiversidade e difundir o uso de agrotóxico na região", afirmou Rollemberg.

O senador lembra que o zoneamento ecológico da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) não prevê o plantio de cana na Amazônia. A Embrapa fez o zoneamento a partir de longos estudos científicos sobre o impacto de determinados cultivos no meio ambiente. Para Rollemberg, a comissão atropelou as recomendações técnicas em favor dos interesses do agronegócio.

"Se a Embrapa fez o zoneamento ecológico, dizendo onde podia e onde não podia plantar cana, não poderíamos ter passado por cima disso", afirmou.

Votaram a favor do projeto, além do relator Acyr Gurgacz (PDT-RO), os senadores Cícero Lucena (PSDB-PB), Ataídes Oliveira (PSDB-TO), Ivo Cassol (PP-RO) e Vaudir Raupp (PMDB-RO). Rollemberg e a senadora Ana Rita (PT-ES) votaram contra. A senadora Vanessa Graziotin (PCdoB-AM) se absteve. A sessão, que resultou na aprovação do projeto, foi presidida pelo senador Blairo Maggi (PR-MT). Até recentemente, o senador era um dos principais inimigos dos ambientalistas.

Pelo texto, "fica autorizado o plantio de cana-de-açúcar em áreas alteradas e nas áreas dos biomas do cerrado, dos Campos Gerais situados na Amazônia Legal". O autor da proposta, senador Flexa Ribeiro, argumentou que o plantio de cana na região vai estimular a produção de biocombustíveis no país.
governo silencia sobre proposta

O Ministério do Meio Ambiente não se manifestou sobre a decisão da comissão. Segundo um parlamentar, o governo é totalmente contra o projeto, mas não agiu com a rapidez necessária para conter a manobra dos ruralistas, maioria na Comissão de Meio Ambiente.

O deputado Sarney Filho (PV-MA) lamentou a decisão do Senado. Para o deputado, se for levada adiante, a proposta vai ampliar a devastação ambiental, principalmente sobre o que ainda resta do Pantanal.

"É de uma irresponsabilidade sem limites isso. No momento em que estamos presenciando o recorde nos últimos três milhões de anos de emissões de gases de efeito estufa, a Comissão de Meio Ambiente aprovou uma medida que vai acelerar os desmatamentos e as queimadas, que respondem por 70% das emissões".
 



Escrito por Observador às 13h50
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Milhares de palestinos protestam nos 65 anos da expulsão


Ramallah - Palestinos entraram em confronto com forças israelenses nesta quarta-feira na Cisjordânia ocupada durante manifestações para marcar os 65 anos da data que denominam de Nakba (Catástrofe), quando a criação do Estado de Israel resultou na perda de suas casas e eles se tornaram refugiados.

Um projétil lançado da Faixa de Gaza, governada pelo movimento islamista Hamas, explodiu em área aberta em Israel, sem causar vítimas, segundo um porta-voz militar israelense. Nenhum grupo de Gaza reivindicou de imediato a responsabilidade pelo disparo.

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, deve retornar à região na terça-feira, em nova tentativa de reavivar as conversações de paz, congeladas desde 2010.

Mas ainda não há nada definido e muitos palestinos se agarram ao desejo de refugiados e descendentes de retornar a terras ancestrais agora parte do território de Israel -- ideia rejeitada por Israel, que alega que isso levaria ao fim do Estado judeu.

Manifestantes entraram em choque com forças israelenses diante de um campo de refugiados perto da cidade de Hebron, na Cisjordânia, e de uma prisão nas imediações de Ramallah, também nesse território. Vários palestinos ficaram feridos.

Em Jerusalém, a polícia israelense se confrontou com manifestantes palestinos, lançou granadas de efeito moral contra eles e efetuou várias prisões.

Milhares também protestaram na praça principal de Ramallah, a capital de facto dos palestinos enquanto Jerusalém permanece sob controle israelense. Eles seguravam cartazes com os nomes das vilas habitadas por palestinos até 1948 e mostravam chaves velhas, símbolos das casas perdidas.

"Pelo meu futuro e pelo retorno à terra da minha família, eu não quero mais negociações inúteis, mas o caminho da resistência e do fuzil", disse Ahmed al-Bedu, um palestino de 15 anos, com cidadania jordaniana.

Árabes da região e de países vizinhos não conseguiram impedir na Guerra de 1948 o estabelecimento dos judeus na Palestina, os quais citavam laços bíblicos com a terra e a necessidade de um Estado judaico na região, que até então estava sob controle colonial britânico.

5,3 milhões de refugiados

Muitos moradores árabes fugiram ou foram expulsos à força de suas casas e depois impedidos de retornar. Somente a Jordânia, que agora tem um tratado de paz com Israel, deu cidadania aos refugiados palestinos.

Segundo cifras oficiais palestinas divulgadas esta semana, 5,3 milhões de palestinos --quase a metade do total distribuído por vários países-- são registrados pelas Nações Unidas como refugiados na Síria, Líbano, Jordânia, Cisjordânia e Gaza.

Boa parte deles vive em campos de refugiados superlotados, quase sem acesso a emprego e serviços básicos.

Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, apoiada por países ocidentais, e ele mesmo um refugiado de uma cidade no norte de Israel, causou ultraje entre os palestinos no passado ao dizer a uma TV israelense que não pretende voltar para sua região de origem.

O principal negociador palestino com Israel, Saeb Erekat, disse nesta quarta-feira que os conflitos sectários na Síria e no Iraque põem perigo os palestinos lá residentes e que a recusa de Israel em "assumir a responsabilidade pela questão dos refugiados" e chegar a um acordo sobre uma "solução justa" para eles está prejudicando as perspectivas de paz.

A Autoridade Palestina quer criar um Estado independente na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, com Jerusalém Oriental como sua capital. Todos esses territórios foram tomados por Israel na guerra de 1967. Israel considera Jerusalém sua capital "eterna e indivisível".

http://exame.abril.com.br



Escrito por Observador às 13h28
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Nicolás Maduro ressalta legado histórico de Bolívar e Chávez

 


O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ressaltou nesta terça-feira (14) o legado ao país aportado pelo Libertador Simón Bolívar e pelo comandante Hugo Chávez, figuras de distintas épocas mas com iguais ideais, declarou.


Ao intervir na inauguração do Mausoléu de Bolívar em Caracas, o mandatário recordou que nos séculos 19 e 20, o destacado patriota sempre figurou como inspiração e bandeira.

Com a insurgência cívico-militar de fevereiro de 1992, começou um longo processo de ‘ressurreição’ do Libertador, no qual a história se converteu em povo e inspiração concreta, acrescentou.

Falar do século 21 e de Bolívar, obrigatoriamente para todos os tempos futuros e presentes, será falar também de uma figura histórica que soube encarnar seus ideais, afirmou Maduro ao referir-se a Chávez.

Nesse sentido, assegurou que é impossível entender a cultura política e histórica da Venezuela do presente sem a dimensão histórica do comandante Chávez na nova dinâmica da vida de nossos povos.

Ambos são "dois homens e duas épocas que conseguiram conectar-se", acrescentou o presidente.

Em sua época, Bolívar foi quem assimilou os efeitos da ebulição das ideias de independência e as levou à prática.

Para a atualidade, Hugo Chávez é a expressão de um tempo histórico, em que o povo se insurgiu novamente para enfrentar a burguesia.

As ações contra os venezuelanos nesse momento impactaram na reserva moral e ética da Pátria, nos jovens militares, expressou Maduro, ao explicar o surgimento de Chávez como fenômeno histórico que reivindica o ideal do projeto do Libertador.

Agora, todos os que participamos da equipe política e do governo venezuelano estamos hoje mais unidos que nunca, enfrentando as campanhas de intrigas dos adversários, afirmou.

Prensa Latina



Escrito por Observador às 12h01
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Trabalhadores entram em greve e são reprimidos no Chile

 


Cerca de 800 chilenos que trabalham para a multinacional Siemens iniciaram uma greve por melhores condições trabalhistas e aumento salarial, a manifestação foi reprimida pela polícia.

Os assalariados solicitam um reajuste de 140 mil pesos (cerca de 290 dólares), mas a empresa só oferece como contra-proposta 14 mil pesos (cerca de 30 dólares). 

As manifestações começaram nesta terça-feira (14), quando os trabalhadores levantaram barricadas na rota internacional que une as cidades Los Anges (Chile) e Mendoza (Argentina), mas foram reprimidos pela polícia, segundo denunciou a Confederação de Trabalhadores do Cobre (CTC).

De acordo com o presidente da CTC, Cristian Cuevas, o uso da força por parte dos Carabineros (polícia militarizada) foi desproporcional, causando inclusive ferimentos graves aos trabalhadores.

O dirigente instou as autoridades a serem prudentes, já que "não é a primeira greve e nem vai ser a última, mas reprimir é uma declaração de guerra", enfatizou Cuevas. 

Segundo o diretor nacional da CTC, Emilio Zarate, isso significou para a Codelco triplicar o custo do serviço que por  funções similares cobraram outras empresas, sem que tenha representado nehuma melhora para os trabalhadores e sim prejuízo. “Alguém está ganhando com este encarecimento e não são os trabalhadores”, alertou o dirigente.

Fonte: Prensa Latina 

 



Escrito por Observador às 11h58
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Agressão à Síria viola Direito Internacional, diz parlamentar sírio



A agressão financiada por governos do Ocidente e da região contra a Síria é hoje um exemplo de violação do Direito Internacional e da soberania das nações, denunciou o presidente da Assembleia do Povo (Parlamento), Muhamad Yihad al-Laham.


É por isso que apostamos na ajuda de países amigos da América Latina, da Rússia, da China, do Irã e de alguns governos árabes que não se somaram aos ataques com o objetivo de quebrar esse complô internacional, assinalou o parlamentar em entrevista à Prensa Latina.

Al-Laham lamentou que em muitos parlamentos ainda existe uma imagem opaca e distorcida sobre a realidade nesse país árabe, mas assegurou que graças a visitas e encontros com legisladores de outras latitudes a verdade vai abrindo caminho e o apoio à causa da Síria aumentará.

Estamos avaliando a proposta de convocar em Damasco uma conferência internacional de parlamentares para pedir apoio de seus parlamentos, a fim de exercer pressão para concretizar negociações pacíficas, anunciou.

De acordo com o chefe do Legislativo sírio, existe uma poderosa campanha de desinformação a respeito da situação na Síria, o que levou inclusive ao bloqueio dos canais por satélite na Europa e em parte do Oriente Médio para evitar que se conheça um ponto de vista distinto ao dos grandes meios de comunicação sobre o conflito.

O Ocidente crê estar informado acompanhando apenas os noticiários dos canais Al-Jazzera (Catar) e Al-Arabiya (Arábia Saudita), que são comprovadamente hostis ao governo sírio e têm tergiversado ou falseado informação, sublinhou.

Muitos meios de comunicação vendem a imagem da existência de uma ditadura em nosso país, mas temos uma Carta Magna que é uma das mais avançadas na região pelos importantes direitos humanos e liberdades políticas e civis que garante, enfatizou.

O dirigente se referiu à lei de partidos que promove uma ampla diversidade e representatividade política e a manutenção de um sistema republicano, ao tempo em que significou a presença no gabinete de governo de dois ministros pertencentes à oposição.

No Parlamento, segundo seu presidente, existem representantes de 15 dos 18 partidos políticos agrupados na corrente aliada ao partido dirigente Al-Baaz, além de opositores e independentes.

O povo sírio tem o direito de escolher seu governante, o qual, deve insistir-se, foi referendado de forma legítima em 2007 por 97 por cento da população, disse.

Al-Laham analisou que embora as autoridades tenham convocado um diálogo amplo com todas as forças políticas e sociais para resolver o conflito de forma pacífica, o chamado recebeu uma negativa por parte da oposição armada.

O presidente do parlamento desmentiu também que a Coalizão Nacional das Forças da Revolução e da Oposição Síria, criada em novembro do ano passado em Doha, seja um representante legítimo do povo.

Essa organização não foi eleita por nenhum cidadão em votações abertas e democráticas, mas por atores externos e muitos de seus membros residem há muitos anos fora do país, ressaltou.

Segundo Al-Laham, a Síria é hoje o último bastião do laicismo regional e exemplo de convivência pacífica entre as distintas confissões religiosas, ambiente que se pretende eliminar alentando o terrorismo e a destruição da infraestrutura para provocar a ruptura de um Estado.

Ele criticou a inação do Conselho de Segurança para condenar os atos terroristas nesta nação do Oriente Médio, enquanto pisoteia sua própria resolução 1373 sobre a luta antiterrorista a nível global.

Em Damasco foram colocados mais de 160 carros bomba nestes dois anos, sem que até o momento se tenha produzido uma condenação explícita do Conselho de Segurança, exemplificou.

Além disso, chama a atenção que a França, um dos membros do Conselho de Segurança, alega lutar contra o terrorismo no Mali, mas apoia o terrorismo na Síria ao dar ajuda aos bandos que perpetram crimes contra a população civil, afirmou.

Prensa Latina



Escrito por Observador às 11h56
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Paraguai: Cartes pede fim da suspensão do Mercosul e da Unasul

O presidente eleito do Paraguai, Horacio Cartes, ratificou o desejo de acabar com a suspensão do país do Mercosul (Mercado Comum do Sul) e da Unasul (União de Nações Sul-Americanas). Há 11 meses, o Paraguai foi suspenso dos dois blocos em reação à forma como o então presidente paraguaio Fernando Lugo foi destituído do poder. Segundo ele, a expectativa é que a suspensão acabe tão logo assuma o poder em 15 de agosto.

"Queremos voltar a eles [os blocos Mercosul e Unasul] e todos conhecem a nossa disposição", disse Cartes. Ele lembrou que conversou sobre o tema com os líderes políticos da região, assim que foi eleito em 21 de abril. Cartes mencionou os presidentes Dilma Rousseff (Brasil), Cristina Kirchner (Argentina), José "Pepe" Mujica (Uruguai) e Nicolás Maduro (Venezuela).

Leia também:
Codas: Eleições no Paraguai foram um remendo, não uma solução

Em relação à Venezuela, o presidente eleito negou dificuldades. "Não temos problemas com esse país. O presidente Maduro me chamou com boa vontade e me disse que há interesse em que tudo se acerte e que as dificuldades envolvendo o Paraguai façam o menor barulho possível", disse.

Quem é Cartes?

Horacio Cartes é um milionário e polêmico empresário que carrega uma vasta lista de denúncias que vão de lavagem de dinheiro a contrabando de cigarros. Aos 56 anos, nunca havia votado na vida. Gastou do próprio bolso pelo menos 20 milhões de dólares na campanha presidencial. Além disso, são diversos os indícios de fraudes.

Cartes tem em um conglomerado de 25 empresas, entre elas um banco poderoso. Foi investigado no Brasil por suspeita de contrabando de cigarros. Durante quatro anos, ainda em tempos de Alfredo Stroessner, foi um foragido da Justiça: vendia no mercado negro os dólares comprados a preços preferenciais para comprar insumos agrícolas. Também foi investigado por Washington, por relações com narcotraficantes.

Com informações da Agência Brasil



Escrito por Observador às 11h50
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Dilma prorroga a Comissão da Verdade até o fim de 2014


A presidente Dilma Rousseff decidiu ontem prorrogar até dezembro de 2014 os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade, que investiga crimes políticos cometidos por agentes do Estado entre 1946 e 1988. Instalado há um ano, que se completa amanhã, o grupo atuaria, a princípio, por dois anos e encerraria sua pesquisa em maio do ano que vem.

A reportagem é de Leonencio Nossa e publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo, 15-05-2013.

Em encontro no fim da tarde no Palácio do Planalto com cinco dos atuais seis membros da comissão, Dilma disse ter recebido pedidos de entidades estudantis para prorrogar as investigações. A presidente também demonstrou satisfação com a nova etapa dos trabalhos do grupo, com o início dos interrogatórios de militares envolvidos com a máquina da repressão.

No encontro de Brasília, ela disse que "se impressionou" com o depoimento feito na sexta-feira pelo coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, que comandou um dos centros de repressão nos anos 1970, o DOI-Codi de São Paulo. Os membros da comissão aproveitaram para lhe mostrar detalhes do interrogatório de Ustra.

A avaliação da presidente é que a "publicidade" dos depoimentos de agentes influentes como Ustra é importante para o esclarecimento do que ocorreu nos porões da ditadura. À comissão, Ustra - reconhecido como torturador pela Justiça de São Paulo desde 2008 - tentou reduzir o impacto das perguntas sobre as mortes e torturas que lhe são atribuídas, muitas delas reconhecidas pelos tribunais, usando a estratégia midiática de atacar a trajetória de Dilma em grupos guerrilheiros. Não há registros de que Dilma tenha sido investigada pelo coronel na época ou tenha ficado presa em unidades chefiadas por ele.

Horas depois, em Porto Alegre, onde foi participar de um seminário do PT, Dilma defendeu o trabalho da Comissão como necessário para o Brasil virar uma página da história. Ressalvou que não é questão de vendeta, mas que só tem um jeito de o País dar esse passo, que é fazer com que "a verdade toda emerja e apareça sem nenhum meio-termo" para que isso nunca mais aconteça.

Relatório

No encontro com os integrantes da comissão, estes anteciparam para a presidente resultados de um levantamento dos primeiros 12 meses de trabalho, que será apresentado ao público no próximo dia 21. "Vai haver surpresa", disse Paulo Sérgio Pinheiro, atual coordenador do grupo. "Vamos oferecer informações concretas." A comissão divulgará um levantamento "quantitativo" e "qualitativo" com informações obtidas por 14 grupos de trabalho.

Pinheiro avaliou que o novo prazo da comissão permitirá ouvir um número maior de agentes da repressão e uma análise da grande quantidade de documentos oficiais. Pinheiro observou que na Argentina a comissão montada para investigar crimes da ditadura ocorrida entre 1976 e 1983 durou nove meses. Ele próprio chegou a sugerir um ano de trabalho.

Diálogo

Um dos entraves das investigações do grupo é a negativa das Forças Armadas em abrir os arquivos secretos dos três centros de inteligência - Cenimar (Marinha), Ciex (Exército) e Cisa (Aeronáutica). Em tom diplomático, Pinheiro disse que existe um "diálogo construtivo" com os militares. "É importante dizer que pela primeira vez em 40 anos uma comissão dialoga com os comandos."

Ele destaca que a comissão já conseguiu passar da fase em que os militares insistiam que os arquivos tinham sido queimados - uma inverdade anunciada à exaustão nas últimas duas décadas. "É claro que refutamos a base legal de que os documentos foram queimados. Ultrapassamos esse debate legal e caminhamos para o diálogo." Nos últimos meses, lembrou, os militares atenderam a "várias demandas precisas de documentos".



Escrito por Observador às 11h30
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Venezuela declara guerra ao crime de rua

 

O presidente venezuelano, Nicolas Maduro, deu início a uma operação em grande escala que visa garantir a segurança no país.

Cerca de 3 mil soldados vão patrulhar as ruas de cidades venezuelanas no âmbito da referida operação.

De acordo com Maduro, o plano chamado de "Segurança Nacional" trará a paz ao país que tem uma das maiores taxas de homicídio entre os países da América do Sul.

A oposição critica constantemente o governo venezuelano pela falta de medidas que impeçam a violência no país.



Escrito por Observador às 12h31
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Rússia, Cuba, Chile, Costa-Rica, Haiti discutirão ordem mundial em Moscou

 

No dia 29 de maio em Moscou terá lugar uma reunião ampliada dos Ministros das Relações Exteriores da Rússia e da Comunidade dos Estados Latinoamericanos e Caribenhos (CELAC) que engloba Cuba, Chile, Costa-Rica, Haiti.

No decorrer da reunião as partes elaborarão um documento conjunto que "refletiria a convergência das abordagens dos países aos problemas da ordem mundial contemporânea e da agenda internacional".

Além disso o MRE da Rússia informa que tem esperança de chegar a um acordo sobre a isenção de vistos para russos por todos os estados da América Latina nos próximos anos.



Escrito por Observador às 12h41
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UMA VITÓRIA DO SUL


 

 

                    A eleição do Embaixador Roberto Azevedo para a direção geral da Organização Mundial do Comércio é uma vitória dos paises emergentes, com o Brics à frente, e da habilidade diplomática do Itamaraty.
             Como se noticiou ontem, o Brasil teve, contra o seu candidato, os Estados Unidos, parte da América Latina e a União Européia, com exceção de Portugal. Segundo se soube, Portugal se somou aos países africanos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (que nos apoiaram firmemente ao empenho dos diretores dessa organização), de que é membro, dissociando-se da unanimidade européia. O candidato adversário foi o mexicano Hermínio Blanco.
             Dois pontos devem ser destacados no resultado do pleito. O primeiro deles é o geopolítico. A visita de Obama ao México e à América Central é mais uma iniciativa, na história das relações entre as duas metades do hemisfério, para assegurar a presunção imperial de Washington sobre o espaço geográfico que ele sempre considerou seu pelo Destino Manifesto. Como convém lembrar, em seu famoso Curso de Filosofia da História, Hegel previu que, em algum momento do futuro, o eixo da civilização estaria no confronto entre os Estados Unidos e a América do Sul.
             Obama está, com outras palavras, propondo a integração do México em seu país. Como cerca de um terço de seu território foi anexado da nação vizinha, os Estados Unidos iniciam agora, 165 anos depois, o processo de conquista do território que sobrou.
              A expedição meridional do presidente norte-americano não se isola dos últimos movimentos de Washington com o propósito de impedir a unidade econômica e política da América do Sul e do Caribe. Quando olhamos o mapa de nosso continente, é impossível negar a importância do Brasil, que ocupa quase a metade do território. Isso não significa que devamos aspirar ao domínio hegemônico da região, ou à liderança de seu destino político, mas, isso sim,  ser ouvidos nos assuntos de interesse comum.
             Foi contra o Brasil, a Venezuela e a Argentina que o México, o Peru, a Colômbia e o Chile se aliaram a Washington para criar a Aliança do Pacífico, com ostensivo patrocínio da Espanha.
            Outro ponto, embora o discurso oficial  o negue, é o da reação à política neoliberal vigente no mundo. Os mais ricos apoiaram Blanco; os mais pobres preferiram Azevedo. Essa realidade deve orientar o nosso futuro imediato. A partir de Lula, as nossas alianças naturais no mundo foram sendo identificadas e assumidas.
            Embora não nos seja conveniente criar atritos com os países centrais, temos que convir que os nossos amigos encontram-se  entre as nações do hemisfério sul, e do Brics.  É certo que nem tudo são flores nas relações internacionais, por mais fortes sejam os interesses econômicos e geopolíticos que os unem. Mas não é difícil saber quem está mais próximo de nós, e com quem podemos contar nas horas difíceis.



Escrito por Observador às 21h52
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COMO OS BANCOS LUCRAM COM A FOME DO MUNDO

 


           Em 1973, quando o muro de Berlim ainda dividia o mundo em dois blocos econômicos e políticos, o então presidente do Banco Mundial, Robert McNamara, disse que todas as nações deviam esforçar-se para acabar com a pobreza absoluta – que só existia nos países subdesenvolvidos – antes do novo milênio. Naquele momento os países ocidentais ainda davam alguma importância à política de bem-estar social, não só como um alento à esperança de paz dos povos, mas também como uma espécie de dique de contenção contra o avanço do socialismo nos países do Terceiro Mundo. A Guerra do Vietnã  com seu resultado desastroso para os Estados Unidos, levou Washington a simular sua boa vontade para com os povos pobres. Daí o pronunciamento de McNamara.
           O novo milênio não trouxe o fim  da miséria absoluta, embora tivesse havido sensível redução - mais em conseqüência do desenvolvimento tecnológico - com o aumento da produtividade de alimentos e bens de consumo primário, do que pela vontade política dos governos.
           Na passagem do século, marcada pelo desabamento das Torres Gêmeas, o FMI, o Banco Mundial – e a própria ONU - reduziram suas expectativas, prevendo, para 2015, a redução da pobreza absoluta à metade dos índices registrados em  1990. Em termos gerais, essa meta foi atingida cinco anos antes, em 2010. A extrema pobreza, que atingia 41.7% da população mundial em 90, caiu para 22% em 2008 – graças à fantástica contribuição da China e da Índia, conforme adverte Francine Mestrum, socióloga belga, em recente estudo sobre o tema.
           Por outro lado, o número absoluto de pobres na África Negra dobrou no mesmo período. A China que, pelo número dos beneficiados, puxou o trem contra a desigualdade, já chegou a um ponto de saturação. Com o seu crescimento reduzido, como se espera, a China levará muitos decênios para baixar o número de seus pobres absolutos à metade.
           Considera-se alguém absolutamente pobre quando tem a renda per-capita inferior a US$ 1,25 centavos por dia: mais ou menos R$ 2,50, ou seja, 75 reais ao mês. Esse critério é, no mínimo, cínico. É possível viver com esse dinheiro? Há quem possa: os trabalhadores das multinacionais nas tecelagens e confecções de Bangladesh e de outros países da Ásia do Sul não chegam a ganhar cinco reais ao dia.
          O governo de Bangladesh, em seu portal, declara ser o país “de portas abertas“ (open-door), com todas as garantias e vantagens legais aos investidores, principalmente nas zonas especiais de produção para a exportação (Export Processing Zones). Em Bangladesh a privatização de empresas públicas chegou à perfeição, e a miséria dos trabalhadores, também – conforme a meta do neoliberalismo.
            A insuspeita Fundação Gates divulgou interessante estudo sobre o controle dos preços dos alimentos pelos bancos, por intermédio dos fundos especulativos (hedge). Da mesma forma que os bancos atuam no mercado derivativo com as primes do mercado imobiliário, fazem-no com os estoques de alimentos, o que aumenta espantosamente os preços da comida, sem que os produtores se beneficiem. Um exemplo, citado pelo estudo, que tem o título sugestivo de “People die from hunger while banks make a killing on food” – as pessoas morrem de fome, enquanto os bancos se enriquecem de repente, especulando com os alimentos.
            Como exemplo, o estudo cita o Fundo Armajaro, da Grã Bretanha, que comprou 240.000 toneladas de cacau (7% da produção mundial) e as reteve, até que obter o maior preço da mercadoria nos últimos 33 anos.
            “Os preços do trigo, do milho e do arroz têm subido significativamente, mas isso nada tem a ver com os níveis de estoque ou das colheitas, mas, sim, com os traders, que controlam as informações e especulam no mercado” – conforme Olivier de Schutter, relator das Nações Unidas sobre o Direito à Alimentação.
           Os neoliberais sempre usam o argumento canalha de que o único caminho rumo ao enriquecimento geral e à igualdade é a do mercado sem  nenhum controle do Estado, dentro da fórmula de Mme. Thatcher: o pobre que quiser viver melhor, que se vire.  A Sra. Francine Mestrum, em seu estudo, contradiz a falácia:
          “Em primeiro lugar, a transferência direta de recursos, que Lula iniciou no Brasil, provou ser efetiva ajuda direta aos extremamente pobres para ir adiante, em busca de empregos; ou para criar seu próprio emprego; para melhorar os padrões de saúde e reduzir o trabalho infantil. Este é o principal argumento para o desenvolvimento desses sistemas, e o próprio Banco Mundial os endossa”. Como sabemos, são vários os países em desenvolvimento que adotaram iniciativas semelhantes.
          Enquanto a Alemanha obriga os países europeus a cortar até o osso seus orçamentos sociais - deixando como saldo  o aumento espantoso do número de suicídios ou das pessoas mortas por falta da  assistência médica do Estado e, a cada dia mais trabalhadores  obrigados a buscar, na lata de lixo, o que comer - os bancos continuam acumulando, e de forma criminosa, dinheiro e poder como nunca.
          O HSBC mundial, que ganhou do governo FHC o Banco Bamerindus, e que tem no Brasil o seu terceiro mercado mais lucrativo do mundo, teve que pagar quase dois bilhões de dólares de multa, em acordo feito com o governo norte-americano, por ter, comprovadamente, lavado dinheiro do tráfico de drogas. Como se sabe, mesmo depois de ter pedido desculpas públicas pelo crime, o HSBC foi acusado, em março deste ano, de lavagem de dinheiro, evasão fiscal e remessa ilegal de recursos ao Exterior pelas autoridades do governo argentino.
          Enquanto menos de um por cento dos seres humanos controlarem, mediante sua riqueza, toda a população do mundo, a igualdade irá sendo empurrada cada vez mais para o futuro, e serão considerados nutridos os que ganharem cinco reais ao dia.
          Só há uma saída para o impasse: a mobilização política dos cidadãos de cada país do mundo, em uma organização partidária e ideológica nítida em seus princípios e objetivos e em sua ação coerente, a fim de colocar coleiras nos banqueiros. E será sempre salutar ver um banqueiro na cadeia, como está ocorrendo, menos do que é necessário, nos Estados Unidos.



Escrito por Observador às 21h31
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