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Blog Observador Internacional
 


Putin e Maduro discutirão desenvolvimento das relações bilaterais


O presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, que chegará a Moscou para participar da cúpula do Fórum de Países Exportadores de Gás, pretendem discutir o desenvolvimento das relações entre dois países após a mudança de liderança na Venezuela.

É possível que, após as negociações, seja assinada uma série de documentos de cooperação.

"Para nós a Venezuela é um parceiro muito importante", disse o adjunto do presidente da Rússia, Yuri Ushakov. Ele lembrou que este país é o segundo na América Latina, depois do Brasil, em termos de cooperação com a Federação Russa.


Leia mais: http://portuguese.ruvr.ru/news/2013_06_28/Putin-e-Maduro-discutir-o-desenvolvimento-das-rela-es-bilaterais-0363/



Escrito por Observador às 18h05
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Ativistas russos dos direitos humanos defendem Snowden

 


Edward Snowden recebeu um documento de trânsito para viajar para o Equador, informou o canal televisivo norte-americano Univision, divulgando esta quinta-feira no seu site uma cópia do “passaporte temporário”. O documento teria sido concedido ao ex-agente da CIA ainda em 22 de junho pela embaixada do Equador em Londres. No entanto, o Ministério das Relações Exteriores do país latino-ameircano declarou oficialmente que não entregou quaisquer documentos a Snowden, embora esteja analisando o seu pedido de asilo político.

Edward Snowden, 29 anos, que desmascarou os serviços secretos americanos, continua pelo quarto dia consecutivo na zona de trânsito do aeroporto Sheremetyevo, de Moscou. Este fato foi confirmado na véspera pelo presidente da Rússia Vladimir Putin. O chefe de Estado russo ressaltou ainda que Snowden tinha chegado a Moscou como passageiro em trânsito e nunca chegou a atravessar a fronteira russa. Por isso, todas as acusações, feitas à Rússia, são “absurdas e disparates”.

No entanto, logo que se soube que Snowden tinha chegado a Moscou procedente de Hong Kong, as autoridades americanas começaram a “bombardear” a Rússia com exigências de extraditar o fugitivo. “Mas isto não passa de um absurdo”, afirma o advogado russo Yanis Yuksha, professor de Direito, membro-correspondente da Academia de Ciências da Rússia:

"Pode-se apontar vários aspetos muito importantes no tocante a esta questão. Aspeto número um: nós, a Rússia e os EUA, não temos um acordo de extradição de semelhantes pessoas. Segundo: para nós seria difícil extraditar uma pessoa que se encontra não na Rússia, mas na zona de trânsito. Terceiro, e, provavelmente, o mais importante: acontece que os EUA adotam frequentemente uma posição não construtiva nas relações com a Rússia procurando impor, custe o que custar, o seu próprio ponto de vista. Já assistimos a démarches ostensivas em relação a vários cidadãos russos. Um exemplo disso é o cidadão russo Victor Bout e outros. Atualmente é muito difícil a colaboração na esfera da proteção de crianças russas adotadas por cidadãos americanos. Infelizmente, no tocante a todas estas questões, as posições das autoridades americanas em relação ao Estado russo não são construtivas. Em visto dos argumentos acima expostos e partindo do sentido geral de humanismo em relação a uma pessoa que não cometeu nenhum crime, mas está sendo perseguida pelo Estado americano que visa outras razões e objetivos, creio que esta pessoa não deve ser extraditada em hipótese alguma para os Estados Unidos. É preciso tornar possível a sua defesa por parte da comunidade internacional."

Em princípios de junho, Edward Snowden publicou dados secretos de que os serviços secretos dos EUA e a Agência de Segurança Nacional americana têm intercetado conversas telefônicas em todo o mundo e têm acesso às mensagens pessoais dos usuários dos maiores sites. Nos EUA, Snowden foi acusado da traição e corre o perigo de ser condenado à prisão perpétua ou à pena de morte. “Com as suas ações, Edward Snowden defendeu, em primeiro lugar, os direitos humanos”, opina o membro do Conselho Presidencial russo para os Direitos do Homem, Alexander Brod.

Os defensores dos direitos humanos da Rússia exortam a direção do país a conceder asilo político a Snowden, caso, é claro, ele apresente o respetivo requerimento. Por enquanto, Moscou não recebeu do ex-oficial da CIA nenhum requerimento a este respeito.



Escrito por Observador às 18h03
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O JOIO, O TRIGO E A RAZÃO.

http://www.maurosantayana.com/

 


 

 

A situação criada com as numerosas manifestações, no Brasil, nas últimas semanas, não se resolverá com a reunião realizada ontem em Brasília, da Presidente Dilma Roussef, com governadores e prefeitos de todo o país - embora o encontro seja um importante passo para atender às reivindicações dos que foram às ruas.
      
Seria fácil enfrentar a questão, se as pessoas que vêm bloqueando avenidas e rodovias - levantando cartazes com todo o tipo de queixas - fossem apenas multidão bem intencionada de brasileiros, lutando por um país melhor.
     
A Polícia Civil de Minas Gerais já descobriu que bandidos mascarados, provavelmente pagos, recrutados em outros estados, têm percorrido o país no rastro dos jogos da Copa das Confederações, provocando as forças de segurança, a fim de estabelecer o caos.
    
Mensagens oriundas de outros países, em inglês,  já foram identificadas na internet, como parte da estratégia que deu origem às manifestações. 
  
 É preciso separar o joio do trigo. Além do Movimento Passe Livre, com sua postulação clara e legítima, há cidadãos que ocupam as ruas, com suas famílias, para manifestar  repúdio à PEC-37, que limita o poder do Ministério Público, ou para exigir melhoria na saúde e na educação.
    
E há outros que pedem a cabeça dos “políticos”, como se eles não tivessem sido legitimamente eleitos pelo voto dos brasileiros. Esses pregam a queda das instituições,  atacam a polícia e depredam prédios públicos, provavelmente com o intuito de gerar material para os correspondentes e agências internacionais, e ajudar a desconstruir a imagem do país no exterior.
     
O aumento brusco do dólar, a queda nos investimentos  internacionais, a diminuição do fluxo de turistas em eventos que estamos sediando, como a visita do Papa, a Copa e as Olimpíadas, não prejudicará só o Governo Federal, mas também as oposições, que governam alguns dos maiores estados e cidades do país, e  dependem da economia para bem concluir os seus mandatos.
    
Os radicais antidemocráticos  se infiltram, às centenas, no meio das manifestações e nas redes sociais, para pregar o ódio irrestrito à atividade política, aos partidos e aos homens públicos, e a queda das instituições republicanas. Eles não fazem distinção, posto que movidos pela estupidez, pelo ódio e pela ignorância,  entre situação e oposição, entre esse ou aquele líder ou partido.
     
Eles apostam no caos que desejam. Querem ver o circo pegar fogo para, depois, se refestelarem com as cinzas. Não têm a menor preocupação com o futuro da Nação ou com o destino das pessoas a que incitam à violência agora. Agem como os grupos de assalto nazistas, ou os fascistas italianos, que atacavam a polícia e os partidos democráticos nas manifestações, para depois impor a ordem dos massacres, da tortura, dos campos de extermínio, dos assassinatos políticos, como o de Matteotti.
       
Acreditar que o que está ocorrendo hoje pode beneficiar a um ou ao outro lado do espectro político é ingenuidade. No meio do caminho, como mostra a História,  pode surgir um aventureiro qualquer. Conhecemos  outros “salvadores da pátria”  que atacavam os “políticos”, e trouxeram a corrupção, o sangue, o luto, a miséria e o retrocesso ao mundo.
     
O encontro de ontem entre a Chefe de Estado, membros de seu governo e os governadores dos Estados é o primeiro passo em busca de um pacto de união nacional em defesa do regime democrático, republicano e federativo. A presidente propôs consultar a população e a convocação de nova assembléia constituinte a fim de discutir, a fundo, a reforma política, que poderá, conforme as circunstâncias, alterar as estruturas do Estado, sem prejudicar a sua natureza democrática.
     
É, assim, um entendimento que extrapola a mera questão administrativa - de resposta às reivindicações dos cidadãos honestos que marcham pelas ruas - para atingir o cerne da questão, que é política.  Há outras formas de ação da cidadania a fim de manifestar suas idéias e obter as mudanças. A proposta popular de  emenda constitucional, como no caso da Ficha Limpa. Cem mil pessoas que participam de uma manifestação, podem levantar 500 mil assinaturas em uma semana, a fim de levar ao Congresso uma proposta legislativa.
 
Não é preciso brincar com fogo para melhorar o país.



Escrito por Observador às 20h37
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O Petróleo garante os 10% do PIB para a Educação ???

 

 


Foi aprovado ontem, na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei (PL) nº 323/2007, que destina à educação e saúde parte dos recursos provenientes da renda do petróleo. Um membro da base do governo chegou a afirmar que a aprovação deste projeto permitiria o aumento dos atuais 5% do PIB para 10% do PIB investidos anualmente na educação. (ver registro da sessão, pág 75).

Porém, o próprio líder do governo, Deputado Arlindo Chinaglia (PT/SP) reconheceu o contrário (ver registro da sessão, págs 64 e 65).

A proposta apresentada contém, em sua página 32, uma tabela com a projeção do volume de recursos que iriam para a educação nos próximos 10 anos. Durante as discussões no Plenário, foi decidido que 25% destes recursos serão destinados à saúde, razão pela qual a educação ficará com 75% dos valores indicados na tabela.

Fazendo-se esta alteração, chega-se à tabela abaixo, que mostra qual seria o percentual do PIB que a educação receberia nos próximos anos. Tais valores estão superestimados, dado que, durante a discussão em Plenário, foi retirada a mais importante fonte de recursos da proposta apresentada: a exploração do petróleo por meio da “Prestação de Serviço” pela Petrobrás, ou seja, sem os leilões dos poços do petróleo. Não se sabe exatamente qual seria a consequência desta última alteração.

Portanto, mesmo com valores superestimados, verifica-se que somente em 2019 haverá o aporte de recursos em valor maior que 0,4% do PIB para a educação. Ou seja: nos próximos 7 anos, a educação receberá valores irrisórios, o que não condiz com a voz das ruas, que pedem a melhoria imediata desta importante área social.

Em 2022, o PL forneceria 1,23% do PIB à educação, valor este claramente insuficiente para aumentar de 5% para 10% do PIB.

Ainda resta a votação pelo Senado, e a sanção da Presidenta Dilma, que pode vetar alguns itens do Projeto, conforme afirmou ontem o Líder do Governo, Arlindo Chinaglia.

As verdadeiras discussões que deveriam estar sendo feitas não estão no PL: (a) para onde vai a maior parte da riqueza do petróleo (para as petroleiras transnacionais); e (b) para onde vai a maior parte do orçamento federal: o pagamento da questionável dívida pública, que consome, por ano, 17% do PIB, ou seja, mais que o triplo do necessário para elevar de 5% para 10% do PIB o investimento em educação.



Escrito por Observador às 18h12
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Quem não gosta de partido é ditadura. Hora de escolher: ou dar as mãos aos skinheads neonazistas ou abraçar a tolerância e a democracia

http://blogdomariomagalhaes.blogosfera.uol.com.br/

 

 


Como observado segunda-feira na passeata dos mais de 100 mil, os protestos populares em curso constituem terreno de ferrenha disputa política entre os próprios manifestantes (leia reportagem aqui). O confronto degringolou ontem, na despedida do outono. No país inteiro, militantes portando bandeiras, estandartes e símbolos de partidos políticos, centrais sindicais, entidades estudantis e movimentos sociais foram escorraçados por uma turba intolerante.

Em São Paulo, os principais executores dessa modalidade de repressão política foram os skinheads, os “carecas” neonazistas. Botaram para correr quem vestia camisa vermelha, rasgaram bandeiras de agremiações e arrancaram faixa do movimento negro. São racistas e homofóbicos. No Rio, essa turma agride, fere e mata gays.

Na Noite dos Cristais, em 9 de novembro de 1938, a escória nazista atacou os judeus por toda a Alemanha, insuflada por Adolf Hitler. No dia 20 de junho de 2013, foi a vez de ativistas de esquerda serem o alvo, no Brasil.

Não está em debate o mérito do partido X ou Y, no governo ou na oposição, menos ou mais comportado. Nem se um sindicato representa dignamente ou não seus filiados. Ou mesmo se os imensos protestos resultam de força ou fraqueza de uma ou outra sigla _as opiniões são legítimas sobre todas essas questões. O que se discute é o direito democrático de seus integrantes participarem das manifestações.

Desde os primeiros atos do Movimento Passe Livre, duas semanas atrás, os partidos tiveram direito de estar presente. No Rio, foi assim há quatro dias. Se outros chegaram ontem, é também seu direito, porque inexiste veto dos organizadores dos protestos, onde se sabe quem são eles.

Como se disseminou um robusto sentimento antipartidos, sobretudo na classe média, os neonazistas capitalizam frustrações e comandam os ataques. É legítimo rejeitar siglas, tomar distância delas e derrotá-las nas urnas. Impedir sua expressão é mania de ditaduras.  Além de ser irônico que determinadas agremiações, cuja militância foi decisiva na construção do movimento contra o reajuste das tarifas, sejam agora reprimidas.

Não deixa de ser curioso: quem protesta contra algumas covardias policiais agride covardemente quem não concorda com suas ideias. A faixa “Meu partido é meu país” é tão legítima como a do partidinho mais mequetrefe. Todos têm direito de se manifestar.

Em 1935, o presidente Getulio Vargas colocou na ilegalidade uma frente de esquerda, a Aliança Nacional Libertadora. Com o golpe de 37, instaurando a ditadura do Estado Novo, baniu o centro, a direita e a extrema direita. Em 47, a Justiça cassou o registro do PCB, e no ano seguinte seus parlamentares, eleitos pelo voto popular, tiveram os mandatos cassados.

A ditadura implantada em 1964 aboliu os partidos do regime democrático restabelecido em 1945-46, inclusive aqueles, como UDN e PSD, que colaboraram para a deposição do presidente constitucional João Goulart, cuja base tinha entre outros o PTB e o PSB.

Durante aquele tempo de trevas, a ditadura descaracterizou o Congresso, impondo cerca de uma centena de cassações de deputados e senadores do MDB. Triturou a Frente Ampla de Jango, Carlos Lacerda e Juscelino Kubitschek.

As ditaduras, do Estado Novo à de 1964-85, mataram militantes que batalhavam pelo direito de existência e expressão de partidos. Eles são mártires da democracia e do país.

A União Nacional dos Estudantes, outro alvo da malta, teve um presidente, Honestino Guimarães, assassinado pela ditadura. A ditadura que matou e sumiu com o corpo do líder estudantil, em 1973, impedia a livre organização partidária. Trucidava quem queria se organizar.

Essa mesma ditadura sofreu uma derrota dura com a formação da CUT, em 1983. As outras centrais sindicais são igualmente legais e legítimas, simpatizemos ou não com elas. Em 1979, o operário Santo Dias foi assassinado com um tiro da polícia. É a memória de gente como ele que é insultada quando fascistoides proíbem os sindicalistas de se manifestar. Como no Rio, rasgando seus panfletos.

É impressionante que certos analistas políticos vibrem com a pancadaria contra bandeiras partidárias, mas não apresentem uma só restrição às ações neonazistas. Impressiona, mas não surpreende: eles apoiaram a ditadura, a intolerância está em seu DNA.

Condenável é partido aparelhar movimentos e protestos, impondo sua agenda particular às reivindicações coletivas. Isso é partidarismo. Mas a presença de agremiações políticas é uma tradição democrática, e muito o Brasil deve a elas. Esqueceram que na Campanha das Diretas (1984) e no Fora, Collor (92) as bandeiras tremulavam nos comícios? Nos palanques, uniam-se dirigentes de partidos para todos os gostos e muita gente que não ia com a cara deles, mas estava unida para melhorar o Brasil.

Os que aplaudem a massa reprimindo militantes, tendo na “vanguarda” neonazistas, têm partido, sim: o Partido da Intolerância, o Partido do Ódio. Já vimos esse filme.

Os provocadores que espalham a baderna, fração ultraminoritária das manifestações, não são os militantes partidários, mas os skinheads, alguns ditos punks e outros ditos anarquistas, que de anarquistas nada têm. Os militantes partidários não promoveram vandalismo, mas foram alvo deles _tomar, rasgar e queimar bandeira é ato de vândalo.

Os protestos em curso, que arrancaram bravamente a redução das tarifas dos transportes públicos, exibem algumas características novas. Uma delas é que reúnem no mesmo evento quem, em 1964, participaria da Marcha da Família, de direita, e em 1968, da passeata dos 100 Mil, dirigida pela esquerda, contra a ditadura. Daí que o ódio dos neonazistas encontre ressonância.

Quem não tem legitimidade para participar dos atos são essas facções que ontem agrediram os militantes políticos, sindicais, estudantis e sociais. São os herdeiros da Ação Integralista Brasileira, a tradução tupiniquim para o nazismo de Hitler e o fascismo de Mussolini, na década de 1930.

É legítimo amar e odiar os agredidos de ontem. Nada mais natural do que achar que um e outro são oportunistas _o que não falta no mundo é oportunista. Mas quem não gosta de partido é ditadura.



Escrito por Observador às 12h01
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A CAIXA DE PANDORA

por Mauro Santayana



      As manifestações que tomaram as ruas de todo o país nas últimas semanas começaram de forma legítima e democrática, convocadas por uma organização conhecida, que existe há muito tempo, e que há muitos anos defende a mesma bandeira, acompanhada de outras organizações, muitas delas situadas à esquerda do espectro político.
 
     O caráter apartidário do Movimento Passe Livre, o êxito da mobilização, a pauta relativamente aberta de reivindicações, foram logo vistos pela extrema direita como  oportunidade  para infiltrar, diretamente e pela internet, suas ideias no moviment,como “Acorda Brasil”,  adaptação direta do  Deutschland  Erwacht! do nazismo, atribuído a Goebbels.
 
     Passou-se a incitar o ódio aos  políticos, o desprezo pelas instituições, com a intenção de  desacreditar a imagem do país no exterior, e de atingir a governabilidade e a economia.
 
     Em um primeiro momento, alguns setores da oposição democrática,  inseridos no sistema político normal,  podem ter sido atraídos  pelo movimento que exibia cartazes pedindo o impeachment da Presidente Dilma,  sem ver outros,  mais numerosos, pedindo indiscriminadamente a cabeça dos políticos e tachando-os, todos, de ladrões e corruptos.
 
      Outros membros da oposição também  se sentiram certamente acuados,  ao se verem cercados no Congresso, ou em cidades e estados governados por seus partidos, por milhares de pessoas e por grupos armados de paus, pedras e fogo.
 
     O que estamos vendo, resguardados os manifestantes comuns, é o vir à luz de um frankenstein político que, em nome da liberdade de manifestação, ataca, com bandidos   mascarados, instituições nacionais e militantes do PT, do PSTU, e do  PSDB,  quando estes ousam sair às ruas.
  
     A tentação de dançar com o diabo, mesmo que por parte de uma minoria, é perigosa e enganadora. Muitos daqueles que apostaram no caos em 1964, pensando que ascenderiam ao poder - como Carlos Lacerda -  terminaram cassados e humilhados pela Ditadura.
   
     Apesar do recuo das autoridades na questão do preço das passagens, continuam as manifestações, agora com a intenção deliberada de paralisar as capitais, como mostram as manobras sincronizadas de interrupção do tráfego em diferentes pontos, como aconteceu em São Paulo no início da semana.
    
    Essa vertente fascista vem estendendo paulatinamente o seu controle, indireta e insidiosamente, sobre centenas de pessoas inocentes e bem intencionadas, e não se descarta a possibilidade de que estejam sendo pagos os vândalos que promovem quebra-quebraS e desatam sua fúria diante das câmeras da imprensa internacional.

     É contra esses inimigos ocultos da  democracia que as instituições, os homens públicos e os cidadãos, quaisquer sejam seus partidos, têm que se unir –  e agora.



Escrito por Observador às 11h51
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“Este mega evento pode aprofundar os problemas do Brasil”, diz Romário no The Guardian

 


Pentacampeão mundial, o Brasil esportivo sempre cultivou o senso comum de que o futebol alienava a população dos problemas sociais. Mas, ironicamente, é a preparação do País para receber a Copa do Mundo que acaba mobilizando brasileiros. Levantando a bandeira sem cor partidária, a população pede o fim da corrupção e do desperdício do dinheiro público, lamentavelmente tão comum em nosso Brasil. Mas os jovens ignoraram o forte apelo do futebol no congraçamento de povos e nações e passaram a promover pacíficas passeatas nas capitais.

 Em momento oportuno, essas fortes manifestações populares ocorrem em plena Copa das Confederações, reforçando o ambiente democrático que vivemos. É da rua que vem o apelo para o fortalecimento do Judiciário, por exemplo. Com legislação frágil, é comum se prorrogar o cumprimento das decisões da Suprema Corte, contribuindo para o avanço da corrupção e impunidade dos ladrões do dinheiro público.

Como deputado de primeiro mandato e já em meu terceiro ano legislativo, sinto-me à vontade para criticar, porque há bom tempo me manifesto contra algumas barbaridades que por aqui ocorrem.

Estive com o governo federal quando o Brasil conquistou a sede da Copa do Mundo. Naquele momento, os dirigentes do país e nossa realidade política e econômica eram outras. As projeções para que o Mundial fosse um instrumento eficaz para geração de empregos e renda, promoção do turismo e fortalecimento da imagem do Brasil incentivaram-me a apoiar a proposta para receber a  Copa.

Como campeão do mundo, tenho a dimensão do gigantismo e do poder desse evento para as cidades-sedes, em geral. Porém, fomos atingidos, também, pelas turbulências da economia mundial, aqui repercutindo na necessidade de o governo redimensionar sua política de gastos e investimentos, mas sem prejudicar a liberação de recursos para a Copa, mantendo os compromissos firmados com a poderosa FIFA.

 Assim, a preparação das cidades para a Copa do Mundo passou a ter prioridade sobre outras necessidades da população. Os financiamentos  foram direcionados para obras do futebol, em detrimento da saúde, da educação e da segurança, principalmente.  A falta de investimentos na educação, por exemplo, contribuiu para que crescesse o número de pessoas sem ocupação, repercutindo, lamentavelmente, em desocupados que foram para as ruas, aumentando a insegurança nas principais capitais do país.

Em muitas cidades, a situação das instalações escolares é deplorável, sem condições mínimas para que ali se processe um aprendizado adequado pelos jovens.  Os professores da rede pública, por sua vez, são muito mal remunerados. A desmotivação desses profissionais repercute no desempenho de suas funções e o resultado dessa falta de prioridades para o setor é que o Brasil figura em penúltimo lugar no índice de qualidade da educação, num ranking de 39 países, segundo a empresa Pearson. Pior: um a cada quatro alunos que inicia o ensino fundamental no abandona a escola antes de completar a última série, segundo Relatório de Desenvolvimento 2012 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNDU).

Na área da saúde a situação é grave e preocupante. São comuns os casos de doentes que recorrem aos hospitais públicos  e têm seus problemas agravados pela falta de profissionais e até medicamentos para os primeiros socorros. Seguidamente, a imprensa registra mortes de pacientes em longas filas de hospitais, sem que ele tenha o atendimento inicial. Quem responde por essa irresponsabilidade criminosa?

Os problemas na educação, saúde e segurança vêm de governos anteriores, colocando o país em situação de vulnerabilidade social, apesar do fortalecimento dos índices de nossa economia. O país está entre as 10 maiores potências mundiais, mas como entender esse honroso ranking diante de necessidades extremas da população, com prejuízos sociais evidentes?

É nesse contexto que o Brasil se prepara para 2014. Não creio que a Copa resolva todos os nossos problemas, mas, como tenho dito, há um grande risco de que esse megaevento aprofunde os que já temos.

Ainda no governo do então presidente Lula da Silva, a proposta era termos um evento com participação maciça da iniciativa privada e transparência nos gastos públicos. Ocorreu exatamente o contrário. De um orçamento inicial de R$ 25,5 bilhões para estádios, mobilidade urbana, melhorias em portos e aeroportos,  temos, hoje, investimentos de R$ 28 bilhões, segundo o secretário-executivo do Ministério do Esporte, Luiz Fernandes. Mas, na minha avaliação, este orçamento ainda pode aumentar muito.

Por que estamos organizando a mais cara das últimas Copas, sem os legados comunitários prometidos? A Copa no Brasil já está custando espetaculares R$ 28 bilhões de financiamentos e investimentos públicos, quase três vezes o aplicado na Alemanha, em 2006, e no Japão, em 2002. E o que dizer da África do Sul, que gastou quatro vezes menos do que o Brasil, R$ 7,1 bilhões? Além disso, os gastos de todas as cidades sedes foram além do previsto na reforma ou construção dos seus estádios. Em Brasília, capital da República, o Tribunal de Contas do Distrito Federal identificou o pagamento de serviços em dobro e até de serviços não realizados. Além disso, do orçamento inicial de R$ 650 milhões, o estádio de Brasília já consumiu R$ 1,2 bilhão, praticamente o dobro do previsto inicialmente.

Quanto às obras de mobilidade urbana para melhorar o tráfego nas cidades sede a situação é caótica. Dos 82 empreendimentos previstos, 25 não cumpriram o cronograma e apenas três mantêm orçamentos atualizados e prazos em dia. Se forem concluídas, estas reformas representarão apenas 5% do que estava previsto. Uma vergonha para o governo e ótimos motivos para a população protestar, com razão.

São números como esses que nos deixam indignados e contribuem para que apoiemos as manifestações populares, a fim de inverter a lógica desse sistema que privilegia o capital em detrimento do social. Não será para no estádio de futebol que os brasileiros buscarão a cura para suas doenças. E já não encontram socorro nos hospitais públicos, pois esse sistema está falido e precisa de uma reação enérgica do governo, sob pena de fragilizar a autoridade institucional.

Enquanto isso, a FIFA anuncia que terá um lucro de R$ 4 bilhões com a Copa no Brasil, livre de impostos. Esse contraste de lucro fácil contrasta com a total ausência de legados efetivos, como os da mobilidade urbana.  A presidenta Dilma Rousseff repete o ex-presidente Lula, afirmando que realizaremos “a melhor Copa de todos os tempos”. Não creio, pois falhamos no item básico, o de deixar à população um legado que orgulhasse a todos nós. Até aqui, só a FIFA está lucrando e é por isso, também, que a população vai às ruas para protestar, com razão.


Escrito por Observador às 14h08
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"Carta para a eliminação do modelo de Estado plutocrático" assinada na Bulgária

Diminuindo o "poder dos ricos"

 

 

 

Mais de 60 cientistas, advogados, jornalistas e ativistas de direitos humanos búlgaros assinaram no domingo (23) uma declaração contra o "poder dos ricos" na sequência de protestos anti-governamentais em curso no país já há dez dias.

A declaração exorta acabar com o poder dos ricos e restaurar a democracia e o Estado de direito, assim como formar um grupo de peritos para alterar o código eleitoral do país com vistas a melhorar a representatividade das instituições políticas e ainda reconsiderar a legislação existente a fim de fechar o acesso da oligarquia aos recursos orçamentários, entre outras medidas.



Escrito por Observador às 12h18
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Putin se reunirá com chefes de Venezuela, Irã, Bolívia e premiê da Líbia

 

O presidente russo, Vladimir Putin, se reunirá com os presidentes da Venezuela, Irã, Bolívia e o primeiro-ministro da Líbia no âmbito da cúpula do Fórum de Países Exportadores de Gás (GECF, na sigla em inglês), que será realizado em Moscou, de 01 a 02 de julho, declarou a jornalistas o adjunto do presidente da Rússia, Yuri Ushakov.

O fórum será composto de duas partes: no primeiro dia, será realizada a sessão do fórum, o segundo será dedicado à realização de reuniões bilaterais.



Escrito por Observador às 12h16
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UE irá alocar montante adicional de 400 milhões de euros para prolongar crise na Síria


A Comissão Europeia decidiu alocar, este ano, um adicional de 400 milhões de euros para fornecer ajuda econômica e humanitária para a Síria e os países vizinhos, informa um comunicado conjunto do presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, e da alta representante da União Europeia para as Relações Exteriores, Catherine Ashton.

O chefe da Comissão Europeia sublinhou que "a UE está mobilizando os seus instrumentos financeiros para aliviar o sofrimento humano".

Assim, o montante total da assistência prestada pelos países da UE à Síria ultrapassou 1,25 bilhões de euros.



Escrito por Observador às 12h14
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Mais de 100 mil protestam em Roma contra o desemprego

 

 

Pela primeira vez em 10 anos, as centrais sindicais CGIL, CISL e UIL juntaram-se numa manifestação de trabalhadores. A taxa recorde de desemprego em Itália e as promessas nunca concretizadas dos governantes foram os principais alvos dos manifestantes. Sob o lema Trabalho e Democracia, mais de 100 mil pessoas quiseram deixar um aviso ao primeiro-ministro Enrico Letta nesta primeira manifestação desde o início do seu mandato. Os discursos dos líderes sindicais acentuaram a necessidade de parar a queda vertiginosa da economia italiana e pôr em prática medidas para recuperar o consumo, redistribuir a riqueza e aumentar o investimento. E todos criticaram a governação marcada apenas por promessas e anúncios sem concretização à vista no curto prazo.

– Não podemos aceitar estas promessas sucessivas que depois não se traduzem em decisões para uma mudança de rumo – afirmou no seu discurso a secretária-geral da Confederação Geral Italiana do Trabalho (CGIL), Susanna Camusso, que defendeu também que “a prioridade deve ser um restituição fiscal aos trabalhadores e aos reformados”. Uma ideia sublinhada também por Luigi Angeletti, o líder da União Italiana do Trabalho (UIL), citado pela Europa Press: “Num país em que a principal preocupação é saber quanto tempo durará o governo, não há tempo para promessas e anúncios, declarou o sindicalista.

A praça romana de San Giovanni encheu-se de gente para protestar contra a subida do desemprego, que com uma taxa oficial de 12% – muito abaixo da realidade – é já um recorde para a Itália, combinada com um desemprego jovem que já ultrapassa os 40% e uma economia na maior recessão do pós-guerra, com o PIB a encolher desde meados de 2011. O protesto seguiu-se ao anúncio do despedimento de mais 1400 trabalhadores do gigante italiano dos eletrodomésticos, a Indesit. Para a líder da CGIL, “a Indesit não está em crise, apenas quer usar os seus lucros para investir na Turquia e na Polônia”.



Escrito por Observador às 12h02
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Embaixadas alertam estrangeiros para sair do Brasil



Não foi só por compromissos que o presidente da FIFA, Joseph Blatter, viajou para a Europa em meio à Copa das Confederações. Desde Segunda, as principais Embaixadas em Brasília e escritórios de dezenas de países emitem alertas sigilosos para seus compatriotas deixarem o Brasil, diante da crescente onda de protestos e violência nas capitais e interior. A coluna teve confirmação de dois casos, um dos Estados Unidos e outro de país do Oriente Médio. Embora haja esforço do governo para manter a ordem, há preocupação das outras nações, que comparam os protestos aos da Primavera Árabe.



Escrito por Observador às 11h51
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Aquecimento da expressão democrática. Cidadania política cadê tu?

 


Depois da euforia do aquecimento da expressão democrática nas ruas no Brasil, chegou a hora de fazermos um pouco de analise política. O protesto do movimento jovem nascido em São Paulo por um grupo de jovens de esquerda contra o aumento das passagens de ônibus pode ser visto como uma gota d’água salutar para despertar a cidadania política. Nesses últimos anos, a efervescência da participação da cidadania no Brasil foi se adormecendo, como se os protagonistas que tanto lutaram pela democracia participativa tenham sido cooptados ou se acomodados diante de seus eleitos.

Quando a ditadura cedeu espaço para a democratização no Brasil, foi promulgada uma nova constituição em 1988, batizada de Constituição Cidadã, tendo em vista que ela ampliava o projeto de democracia no Brasil, ou seja, buscava compatibilizar os princípios da democracia representativa com a democracia participativa. Cabia ao Estado a função de promover a igualdade entre os brasileiros independente de sua classe social ou categoria econômica do qual pertencesse. Ninguém pode negar os avanços no processo de democratização, principalmente, da democracia participativa nos anos 90 quando o PT emergia como um partido de participação popular nos governos municipais. Nessa década, a participação passa a ser um fermento para o fortalecimento da democracia. Todavia, o casamento entre a democracia representativa e democracia participativa, ocorrida no plano local, nem sempre foi uma união solida, e, ela se fragiliza quando levada ao poder central. Essas contradições devem ser mais bem analisadas, e, em parte explica certa decepção.

As primeiras dificuldades começam quando a pauta de reivindicações das organizações sociais sobre a reforma agrária, a reforma urbana, a reforma do sistema político, dentre outras serão colocadas em banho maria… Essas organizações combativas almejavam um projeto de sociedade para o Brasil baseada num desenvolvimento territorial solidário com sustentabilidade ambiental, cultural e política, porém essas demandas de reformas estruturais serão barradas diante dos interesses econômicos, dos grupos de pressão e pelas alianças feitas com base políticas conservadoras. O PT e seus aliados não tiveram maioria, nem no senado e nem na câmara dos deputados. Daí as oligarquias que vai do latifundiário aos que controlam dos meios de comunicação guardaram quase intactos seus privilégios. Ela é bem representada ainda hoje no congresso. Tanto o governo Lula como de Dilma cederam às suas pressões.

Entretanto, o governo de Dilma obteve maioria parlamentar para governar, mais uma vez as organizações sociais recarregaram suas bandeiras de luta, e, tentaram interpelar a nova Presidenta, e, uma vez não foram escutadas.  Elas continuam fazendo pressão junto ao planalto, basta ler a nova carta feita a presidenta Dilma enviada há dois dias (leia o site).

Não quero aqui dizer que nada foi feito, e nem tão pouco, nego as conquistas sociais, os avanços dos programas de inclusão social que levaram uma redução da pobreza nesses últimos dez anos. Todavia, os 35 milhões que saíram da pobreza extrema estão muito longe do pleno acesso aos seus direitos e de uma atuação cidadã digna desse nome. É extraordinário o que foi feito nesses 10 anos, mas isso apenas arranhou a superfície de uma desigualdade histórica que continua a ser escandalosa. Já escrevi vários artigos neste sentido.

Até parece que o progresso econômico e o reconhecimento do Brasil como potência emergente levaram o poder executivo a se deslumbrar de seu novo estatuto internacional e esquecer a divida social do Brasil que ainda não foi sanada. A democracia nem sempre obedece à lógica da prosperidade, sobretudo, quando poucos ficam à margem do progresso, do bem estar social. Uma maioria permanece esperando o ônibus passar… Outra nem de ônibus, pode andar, seu poder aquisitivo não é suficiente para acompanhar o aumento do custo de vida. Isto é o suficiente para se revoltar!

Ninguém pode negar o papel importante do Brasil na política internacional. Hoje ele é bajulado pelos mandões da gouvernança econômica mundial, ele passa a ser credor do FMI, alguns cargos nos organismos multilaterais serão contemplados por brasileiros, OMC- a organização mundial do comercio, a FAO- Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, o Brasil é eleito no Conselho dos Direitos Humanos da ONU, integra a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), na Organização dos Estados Americanos (OEA) e no Comitê Consultivo Internacional do Algodão – sigla em inglês é Icac.  O Brasil vai formar também seu grupo de pressão internacional e participa ativamente do novo desenho de um mundo multipolar com o BRIC (Brasil, Rússia, Índia, China e em seguida acrescido de África do Sul, com o G20.

Logicamente, isto é orgulho para qualquer brasileiro, entretanto, o gigante não pode ficar dormindo em cima de ganhos econômicos e de seu prestigio internacional. Basta ver hoje a crise econômica e social de seus aliados do dito primeiro mundo. A luta dentro do mundo multipolar passa hoje pela paz social, senão será um caos planetário.

Daí o governo deve fazer varias leituras desta mobilização nacional e tomar medidas urgentes para atender certas reivindicações que são justas.

A participação dos jovens é a prova que a democracia brasileira ganha vitalidade. Despertada ela já estava há muitos anos, pois nossa geração derrubou a ditadura, todavia, estava faltando ativismo no exercício da cidadania. Os jovens inauguram uma nova era de tomada de consciência pelos seus direitos. Resta uma interrogação: Este movimento de contestação pode reforçar a cidadania política no Brasil? Esperamos que sim. Porém sabemos que existem grupos completamente apolíticos, outros são levados pela onda do facebook, nem sabem nada sobre a origem dos protestos. Um de meus sobrinhos colocou sua foto no Facebook com um cartaz: Pra frente Brasil! Eu lhe respondi: Por favor, não imite o slogan da ditadura, a geração de tua tia não pode suportar! Ele me respondeu que não sabia, e me pediu desculpas. Normal, infelizmente, muitos desses jovens não estudaram o período negro de nossa historia política, só agora a Comissão da Verdade foi criada…  Todavia, existem grupos de direita que há anos vem tentando mobilizar pessoas para manifestar contra os governos de Lula e de Dilma. Finalmente um espaço se abre para eles se infiltrarem. Muito deles preferem despolitizar o movimento, na tentativa que eles não radicalizem a democracia, se esses jovens politizam o movimento representam um perigo para eles e não para a esquerda.

Quanto a direita partidária, ela não tem proposta política e nem liderança, o que conta é continuar a alimentar seu ódio pelos os que ocupam o poder democraticamente eleitos pelo povo.

Acredito que a leitura do que ocorre hoje está mais ligado há uma frustração de segmentos da sociedade por mudanças mais radicais, por uma melhor definição das prioridades governamentais, do que querer o retorno da direita que faliu o Brasil. Se eles criticam, por exemplo, o governo de aceitar as imposições da FIFA, que levam a gastos públicos colossais, é porque  falta dinheiro para melhorar a qualidade dos serviços públicos. Eles não estão pedindo a anulação da copa do mundo! O país do futebol só quer o sucesso da seleção, assim como eles querem um governo que continue combatendo a corrupção, o abuso do uso do dinheiro público.

Uma coisa é certa, se quisermos um melhor funcionamento da governabilidade democrática, temos que participar mais, e, exigir muito mais de nossos políticos. Por vezes, quando elegemos pessoas do nosso campo político, oriundo de movimentos populares, a tendência é esmorecer a luta. Pensa-se que tudo estará resolvido. A experiência que o Brasil estar vivendo prova o contrário! Ser um aliado do governo na luta por um desenvolvimento com inclusão social, não quer dizer ser instrumentalizado. Uma democracia sem luta social, sem contra poder é uma democracia amorfa. Se a democracia representativa vai mal, a culpa não é só dos políticos, a política é inseparável do exercício da cidadania. Temos que reencontrar o sentido nobre da política, que permite a uma comunidade agir sobre si mesma, sem perder a visão do interesse geral.

Se ampliarmos os espaços para exercer nossa cidadania, estaremos contribuindo para a emergência de uma nova Nação não só orgulhosa de seu progresso econômico, porém consciente que uma democracia só é dinâmica, quando ela não perde a capacidade de se indignar diante das injustiças, diante do abuso do poder, quando não perde a capacidade de inovar.

O que temos que estar atentos é para a manipulação dos oportunistas de direita, que abraçaram o protesto e a causa dos jovens nesses últimos dias. As reivindicações deles não são as mesmas da maioria silenciosa e nem dos jovens que se manifestam. Eles não querem um Brasil mais solidário, com menos desigualdades, com serviços públicos de qualidade. Eles não precisam de ônibus, de transporte publico, eles andam de helicóptero ou em carro blindado. Eles não querem um Brasil sem agrotóxicos, sem OGM, sem grandes latifúndios, sem racismo, sem concentração de riquezas, sem açambarcamento dos meios de comunicação, sem corrupção, sem homofobia. Uma parte desta elite brasileira está acostumada a sonegar impostos, a fazer “maracutaias” com falsificações de notas fiscais, investimentos especulativos, e muitos depositam seus ganhos nos paraísos fiscais. Ela foi bem beneficiada com o crescimento da economia brasileira. Na certa eles querem um Brasil mais neoliberal. Daí muita vigilância nesta suspeita participação nas passeatas. A luta por um Brasil mais justo e com progresso para todos, como os mesmos direitos continua!

Felizmente vivemos hoje em democracia, e podemos ocupar os espaços para o exercício da cidadania, ao contrario da intoxicação de grupos de direita que se infiltra na rede social de Facebook, para divulgar mentiras, incitar o ódio, e, até chegar ao cumulo de dizer que o Brasil é uma ditadura. Para quem viveu a ditadura como minha geração esta é a maior ofensa! Este grupo que estar rearticulando os segmentos conservadores não lutou pela democratização do Brasil, eles até hoje são saudosista do que eles chamavam de “revolução”, o golpe militar de 64.

O momento atual é propicio para os governantes brasileiros progressistas avaliarem as causas do descontentamento e agir em conseqüência.

Marilza de Melo Foucher é economista, jornalista e correspondente do Correio do Brasil em Paris.



Escrito por Observador às 11h48
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Equador concede asilo a Snowden enquanto Londres e Washington se veem diante censura mundial

 


O ex-espião norte-americano Edward Snowden, que revelou a existência de um big brother global capaz de captar, armazenar e decodificar todas as comunicações móveis mundiais e a Internet, deixou Hong Kong no início deste domingo (horário de Brasília), com destino ao Equador.  Snowden abandonou Hong Kong pouco depois do seu passaporte ter sido cancelado pelas autoridades norte-americanas, que o acusaram de espionagem, e no dia seguinte às suas revelações à imprensa chinesa sobre a vigilância da NSA às mensagens SMS dos chineses. O ex-espião viajou na companhia de Sarah Harrison, uma das colaboradoras mais próximas de Julian Assange. O Wikileaks divulgou, em comunicado, neste domingo que Snowden pediu ajuda à organização garantir a sua segurança. O ex-juiz espanhol Baltazar Garzón, que dirige agora o departamento jurídico da Wikileaks, afirmou que “o que Snowden e Assange – por revelarem ou facilitarem a revelação de assuntos de interesse público – sofrem um ataque conta as pessoas”.

O avião de Snowden aterrissou nesta tarde em um aeroporto de Moscou, em trânsito para o Equador. Minutos depois, o ministro equatoriano dos Negócios Estrangeiros, Ricardo Aroca, confirmou no Twitter ter recebido, e liberado, um pedido de asilo por parte de Edward Snowden.

Neste sábado, Assange, líder da Wikileaks, assinalou o seu primeiro aniversário enquanto hóspede forçado da embaixada equatoriana em Londres com um comunicado em que destaca o caso de Edward Snowden.

“A privacidade humana foi erradicada em segredo”, declarou Assange, chamando a atenção para a situação paradoxal das últimas semanas: “O governo dos EUA espiona cada um de nós, mas o Edward Snowden é que é acusado de espionagem por nos avisar disso”. Assange lança duras críticas a Barack Obama, cuja administração já conta com oito acusações de espionagem a pessoas que divulgaram à opinião pública  informação que os EUA preferiam manter em segredo.

Pedido de explicações

O tema da espionagem da NSA ofuscou a visita de Obama à Alemanha na semana passada, no meio de comparações entre a ação do governo norte-americano e as antigas práticas da polícia política Stasi, na antiga RDA. Os dados recolhidos acerca do programa PRISM, que permite aos EUA escutarem todas as comunicações geridas pelas maiores empresas na internet (Google, Apple, Microsoft, Yahoo, Facebook…), concluíram também que a Alemanha foi o país europeu mais grampeado pelos espiões dos EUA.

Mas na sequência das revelações de Snowden, uma investigação do Guardian concluiu que o programa Tempora, da agência de espionagem britânica CGHQ, ainda tem maior capacidade de escuta do que o Prism, para além da capacidade de armazenar durante 30 dias todas as comunicações que passam nos cabos de fibra ótica sob vigilância, dados que são depois partilhados com a NSA norte-americana.

“Se estas acusações tiverem fundamento, isso seria uma catástrofe”, declarou em nota, neste sábado, a ministra alemã da Justiça. Para Sabine Leutheusser-Schnarrenberger, as acusações contra o Reino Unido “parecem saídas de um filme de terror de Hollywood. As instituições europeias devem procurar desde já clarificar a situação“, concluiu.



Escrito por Observador às 11h35
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